16 de out de 2012
FACÍNORA

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Altamente chata, implicante, intolerante, consciente, nada sinestésica e muito sarcástica.

A personagem criada por Bruno Caldeira rompe com a hipocrisia e joga a bola para o espectador: quem conseguir ficar até o final, entende o enredo. 

Quando assisti FACÍNORA pela primeira vez, fiquei perplexa. 
Era época de Verão Arte Contemporânea e Campanha de Popularização. E lá estava eu com meu caderninho a postos montando minha agenda. 
Consigo achar peças excelentes de terça e domingo. Ou seja, nesse período, minhas noites ficam repletas de cultura.

Lembro que aquele nome tinha me chamado a atenção. (até porque o VAC chama muito a atenção). 
A peça era numa quarta (o dia estava repleto de comédias besteirol). 

 Tiago ainda citou uma peça da Campanha que ele tinha se interessado, e eu lembrei "Não! Hoje tem Facínora". 
Confesso que nem li a sinopse. Fui por causa do nome. 

Quando a peça começou, vi que FACÍNORA ocupava os quatro cantos daquele teatro. 
Comecei a pensar na pós graduação que eu estava fazendo, e nas aulas em que tanto debatíamos cultura. Realmente, vivemos na cultura do  cinismo e das completas vulgaridades. É aquela velha história... segundo pesquisa do IBGE, 98% da população brasileira se diz não preconceituosa, mas conhece pelo menos uma pessoa que é...!?

Depois que li vários artigos da Lilia Moritz Schwarcz, entendi mais ainda o propósito de tudo aqui

Facínora nos dá um tapa na cara. Nos faz engolir a nossa dura realidade. Enquanto intolerantes, enquanto inconsequentes, enquanto tiranos. 

Saí da peça intrigada. Como teria apresentação no dia seguinte, resolvi chamar os amigos. E claro, fui novamente. Queria ter a certeza de que sim, aquela peça existia. 

Desta vez, vi duas pessoas abandonarem o teatro nos primeiros 15 minutos. 
Escutava risinhos pelos cantos, e vez em quando, algum comentário: "que absurdo, que patético".

Sim, é patética a forma como a sociedade age. E para quem o espelho serve, a porta do teatro é mais que a serventia da casa. 

Facínora nos tira da zona de conforto e nos coloca num cimento desagradável, cruel e real. 

Vale a pena cada segundo de realidade.

Ah, esqueci de contar que, depois da peça, subi no palco, corri para o camarim para aplaudir os atores. E simplesmente me deparei com figuras fantásticas e simpáticas!!!


Ahhhhhhhhhhhhhhhh! E FACÍNORA ESTÁ DE VOLTA A BH!!!

de 18 a 21 de outubro (quinta a domingo)
sempre às 20h.
No espaço Multiuso do SESC PALLADIUM. (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro)
R$ 40,00 inteira

(se não aguenta, não suba o elevador e vá beber leite!)




1 comentários:

Leoa disse...

Belíssimo! Sempre muito realista ao escrever... Nos remete a imaginar tudo!

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