25 de jun de 2012

"PALHAÇOS À VISTA"

...e eu gosto de uma arte genuína!

Os circos internacionais dominaram o mercado da classe média alta e quase aniquilaram a cultura do circo errante, do toldo colorido, dos palhaços caricatos dos malabares, da alegria interiorana. 

Mas não conseguiram. Existem artistas nada errantes que transformam a magia do circo em uma arte incrível, capaz de causar comoção da criança mais tímida ao adulto mais sério. E assim é a COMPANHIA CIRCUNSTÂNCIA que, por onde passa, leva a magia do circo cru e bastante inteligente.

No espetáculo PALHAÇOS À VISTA, uma trupe de 4 palhaços roda o Brasil mantendo a tradição de um circo herdado. Com direito a picadeiro, malabares e piadas (às vezes internas), o grupo leva a platéia ao delírio da risada. 

São surpreendentes na forma, no conteúdo, na simplicidade, no sorriso. ALEGRIA, GUIMBA, BAMBULINO e REPIMBOCA mostram que a magia no circo não está esquecida. Com um pequeno toque, os palhaços transbordam a arte que perdura há décadas, séculos... e que continua a brilhar nos olhos de qualquer idade.

O espetáculo é para a criança. A pequena criatura que dá os primeiros passos, aquele que lê as primeiras palavras, aquele que dá o primeiro beijo, o que tenta o vestibular, o que arruma o primeiro emprega, o que casa, o que tem filhos, netos, bisnetos... É para a criança que habita nos quatro cantos da pele humana que insiste em sair. 

Os palhaços trazem o sorriso, ganham o verso e transformam o espetáculo em pura prosa!

E terminam à lá Exupéry. Bem em cima do planeta B612!

                                           PALHAÇOS À VISTA

"Sinto muito, acabaram-se os pães"

"Otávio precisa migrar, mas sem Irene quem irá alimentá-lo?"




COMO PODE UM PEIXE VIVO VIVER FORA D'ÁGUA FRIA
COMO PODE UM PEIXE VIVO VIVER FORA D'ÁGUA FRIA
COMO PODEREI VIVER?
COMO PODEREI VIVER?
SEM A TUA
SEM A TUA
SEM A TUA COMPANHIA...
SEM A TUA
SEM A TUA
SEM A TUA COMPANHIA...


E no sábadão da virada, eis que me deparo com uma mensagem da CIA CINCO CABEÇAS convidando os amantes do teatro a assistir a cena curta "SINTO MUITO, ACABARAM-SE OS PÃES", com os cabeçudosByron O'Neill e Carol Oliveira.

Como sempre, as Cabeças surpreenderam. Com um texto denso, desfaz o etéreo e, com simplicidade, mostra a angústia de personagens que teimam em se separar... ou não...
Os pães se acabam e a mudança é necessária. Mas como mudar em universos pessoais tão limitados?

A cena pega o mais profundo da angústia da dependência. 

Surpreendente. Sinestésico.

Porque os Cabeçudos fizeram toda a diferença no sabadão da Virada!!!
17 de jun de 2012

"Eu não comi James Joyce"

Ele tinha glúten. 

Adoro rituais antropofágicos. Mas vivi uma experiência desagradável, amadora e despudorada de sentimentos. 

Por um momento, vi Madame Butterfly totalmente fora do tom, segurando uma cabeça mal feita do escritor e, ainda, provocando uma chacota generalizada. 

Essa armadilha da pós-modernidade atinge a todos sem exceção, chegando a causar desconforto e contrangimento também no campo das artes. Demasiados artistas perdem o rumo no labirinto. Sim, é muito fácil nos perder uns dos outros e de nós mesmos. 
Citando MARSHALL BERMAN: "Ser modero é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor - mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que tempos, tudo o que sabemos, tudo o que somos". 

Em consequencia, encontramo-nos hoje em meio a uma era moderna que perdeu contato com as raízes da sua própria modernidade.

O antropofágico não precisa ser piegas. Eu gosto de bingo e adoro a idéia de pescar batatas e ganhar um ovo frito no final. Mas eu não como um corpo de pão. Não concordo com uma gueixa mau construída. 

Eu levo a arte a sério. Assim como respeito os sonhos de uma criança, as expectativas dos adolescente e os devaneios dos adultos. A arte engraçada também é feita com seriedade e respeito.

Eu não tiro uma folha amassada do bolso e leio sem qualquer sentimento. Já li textos do Guimarães Rosa para uma platéia de 200 pessoas. Eu vivi Diadorim por um curto espaço de tempo. Minha voz se misturou às palavras escritas. Sim, eu me engoli e dei lugar à personagem enigmática do Grande Rosa.

Mas não consegui enxergar James Joyce ontem. Uma pena! 

Nao senti a antropofagia sinestésica prometida.

 Não vou comer James Joyce. Vou procurar por ele até o próximo BLOOMSDAY.....

                                           PERDIDO! PROCURA-SE!!!!
15 de jun de 2012

.:Ele é Flamengo e tem uma nega chamada Teresa:.

Cazuza já dizia que morrer não dói. 
Será?

E quando me deparo com um corpo cansado, penso que aquela alma que ali habita precisa aproveitar cada segundo sinestésico da vida: sentir o cheio da música, o sabor da poesia, a cor do vento, a doçura da voz, o calor do abraço e, inclusive, sentir o vazio mais íntimo do ser e perceber que corpo e alma não se confundem, apenas se misturam por um período de tempo. E que sim, tudo que é sólido, um dia, se desmancha no ar.

E assim, temos que nos acostumar com a imaterialidade do ser e com a imensidão da alma. 

Mas o corpo daquele homem está indo embora aos poucos. Ele chora, ri, se emociona, se conforta, dorme, come, toma remédio...
Ele sabe que as sinestesias são muitas, mas o tempo é pouco. Pouco para o corpo. Muito para a alma.

Já sinto um pouco da sua alma tomando conta do mundo. E já sei que, no dia da passagem, estarei feliz por saber que ele fez a diferença: com sua alegria, criou aviõezinhos de madeira lindos, gravou meus choros na infância (e guardou todas as fitas), espalhou seu amor pelos quatro cantos (e seu mau humor também). Ah sim, ele é flamenguista convicto e se casou com a Teresa!!! E ainda, com o corpo cansado, tem o abraço mais apertado e verdadeiro que já senti. 

Um dia, vou sentir saudade desse abraço cheio de carne. Mas sei que terei sempre um abraço cheio de alma. Ele vai estar lá: no casamento que vai chegar, nos netos que vão nascer, nas dificuldades que vou passar. E até mesmo na cirurgia que, um dia, vai acontecer... 

Te amo, vô. Hoje, pra sempre, no sempre, no todo. Na alma.

                                           Os avós são as melhores companhias do sempre. Do todo...
11 de jun de 2012

.:Abrindo portas e descobrindo o mundo:.

Sou da opinião de que não devemos ter medo de mapas. 

Aliás, gosto de qualquer forma de mapas. E tenho uma queda pelos políticos (aqueles, que mostram toda a cidade, as ruas, monumentos, praças). Pego um, me reconheço nele, indico o lugar onde estou e sigo andando. Detesto perder o rumo (qualquer que seja). Por isso, minha bússola eterna é o mapa. 

E assim foi desde que comecei a viajar sozinha e conhecer outros lugares. 
E, além de gostar de mapas, gosto de absorver as cidades. Consigo me adaptar à rotina a ponto de chegar a ser confundida com uma cidadã daquele local.

Aprendi a me abrir para a cidade. Já passei por experiências duras que me deixaram até um pouco apreensivas. 
Como, por exemplo, com Veneza. Cheguei de uma viagem de trem, cansada, querendo ir para o hotel tomar um banho e dormir no mínimo 2 horas. E qual não foi minha surpresa ao chegar na cidade e não encontrar um táxi sequer... ô que ódio. Saí pisando duro e (sem falar italiano) fui praticar o inglês na barraca de doces "where can I take a cap"????
Mas tremi as pernas quando ouvi que ali não tinham carros... apenas barcos...

Que revolta imensa! Peguei um taxi-barco e fui parar no hotel depois de minutos intermináveis na água. Fiquei um dia inteiro de mau da cidade. Fiz um belém-belém que nada abria minha cara. Queria um carro, cidade, movimento. 

E na manhã seguinte, mais calma, comprei um mapa, me localizei e saí andando. No final do dia, completamente tranquila, não sentia falta alguma de carros. Por sinal, estava amando uma cidade sem barulho de buzinas ou motores. Adotei Veneza como minha, absorvi toda aquela mudança e, no último dia, não queria ir embora. Saí chorando da cidade só de pensar que em outro local eu precisaria de um táxi. 

E desde então aprendi a absorver o diferencial de qualquer cidade.

E na semana passada, segui viagem para Porto Alegre. Procurei com amigos informações da cidade, peguei várias dicas culturais e embarquei (claro, com 2 Dramin's no estômago para enfrentar o pânico de avião). Já cheguei inspirando todo o ar daquela cidade. Me coloquei de braços abertos para ela e vivi as mais belas experiências sinestésicas. 

Comprei um mapa, me localizei e s, procurando por lugares, costumes, culturas, pessoas, artes... 
Fui do chimarrão à colônia polonesa. Dos amigos argentinos aos moradores da cidade. Cheguei a ser confundida com um "guria" diversas vezes, tamanha foi minha identificação. 

Visitei os mais diversos museus (e ainda fiz amizade no Museu da História da Medicina), andei de barco pelo Guaíba, peguei ônibus turismo e ouvi toda a história da cidade, pedi ao negrinho do pastoreiro as coisas perdidas, assisti ao belíssimo pôr do sol da Usina do Gasômetro... 

No final, já não precisava mais do mapa. Já sabia todos os destinos de cor... cada esquina era familiar. 

Saí de lá com um aperto e afogada em lágrimas. 

O bom de conhecer mapas é mergulhar dentro da cidade. O ruim de conhecer mapas é tentar se livrar deles e não conseguir!!! 

Ainda estou vivendo o "banzo" gaúcho. 

Mas sei que, em breve, voltarei. Afinal, sou uma cidadã do mundo!!!!

                                                    Esta que vos escreve completamente "em casa" no Santander Cultural, em Porto Alegre!!!!

                                                   Me deliciando com um vinho "da casa" em um restaurante polonês!!!

                                          "Gauchando" com meu chimarrão!!!!

                                          Curtindo um friozinho na Casa de Cultura Mário Quintana!!!