11 de jun. de 2012

.:Abrindo portas e descobrindo o mundo:.

Sou da opinião de que não devemos ter medo de mapas. 

Aliás, gosto de qualquer forma de mapas. E tenho uma queda pelos políticos (aqueles, que mostram toda a cidade, as ruas, monumentos, praças). Pego um, me reconheço nele, indico o lugar onde estou e sigo andando. Detesto perder o rumo (qualquer que seja). Por isso, minha bússola eterna é o mapa. 

E assim foi desde que comecei a viajar sozinha e conhecer outros lugares. 
E, além de gostar de mapas, gosto de absorver as cidades. Consigo me adaptar à rotina a ponto de chegar a ser confundida com uma cidadã daquele local.

Aprendi a me abrir para a cidade. Já passei por experiências duras que me deixaram até um pouco apreensivas. 
Como, por exemplo, com Veneza. Cheguei de uma viagem de trem, cansada, querendo ir para o hotel tomar um banho e dormir no mínimo 2 horas. E qual não foi minha surpresa ao chegar na cidade e não encontrar um táxi sequer... ô que ódio. Saí pisando duro e (sem falar italiano) fui praticar o inglês na barraca de doces "where can I take a cap"????
Mas tremi as pernas quando ouvi que ali não tinham carros... apenas barcos...

Que revolta imensa! Peguei um taxi-barco e fui parar no hotel depois de minutos intermináveis na água. Fiquei um dia inteiro de mau da cidade. Fiz um belém-belém que nada abria minha cara. Queria um carro, cidade, movimento. 

E na manhã seguinte, mais calma, comprei um mapa, me localizei e saí andando. No final do dia, completamente tranquila, não sentia falta alguma de carros. Por sinal, estava amando uma cidade sem barulho de buzinas ou motores. Adotei Veneza como minha, absorvi toda aquela mudança e, no último dia, não queria ir embora. Saí chorando da cidade só de pensar que em outro local eu precisaria de um táxi. 

E desde então aprendi a absorver o diferencial de qualquer cidade.

E na semana passada, segui viagem para Porto Alegre. Procurei com amigos informações da cidade, peguei várias dicas culturais e embarquei (claro, com 2 Dramin's no estômago para enfrentar o pânico de avião). Já cheguei inspirando todo o ar daquela cidade. Me coloquei de braços abertos para ela e vivi as mais belas experiências sinestésicas. 

Comprei um mapa, me localizei e s, procurando por lugares, costumes, culturas, pessoas, artes... 
Fui do chimarrão à colônia polonesa. Dos amigos argentinos aos moradores da cidade. Cheguei a ser confundida com um "guria" diversas vezes, tamanha foi minha identificação. 

Visitei os mais diversos museus (e ainda fiz amizade no Museu da História da Medicina), andei de barco pelo Guaíba, peguei ônibus turismo e ouvi toda a história da cidade, pedi ao negrinho do pastoreiro as coisas perdidas, assisti ao belíssimo pôr do sol da Usina do Gasômetro... 

No final, já não precisava mais do mapa. Já sabia todos os destinos de cor... cada esquina era familiar. 

Saí de lá com um aperto e afogada em lágrimas. 

O bom de conhecer mapas é mergulhar dentro da cidade. O ruim de conhecer mapas é tentar se livrar deles e não conseguir!!! 

Ainda estou vivendo o "banzo" gaúcho. 

Mas sei que, em breve, voltarei. Afinal, sou uma cidadã do mundo!!!!

                                                    Esta que vos escreve completamente "em casa" no Santander Cultural, em Porto Alegre!!!!

                                                   Me deliciando com um vinho "da casa" em um restaurante polonês!!!

                                          "Gauchando" com meu chimarrão!!!!

                                          Curtindo um friozinho na Casa de Cultura Mário Quintana!!!
30 de mai. de 2012

.:Vambora sair de férias:.

Vamos colocar sinestesias por aqui? Dê um CLIQUE e coloque um colorido musical neste post!!!

E cá estou eu novamente com meus devaneios artísticos...

Há duas semanas recebi minha ex chefe diretamente de São Paulo para meu apto. Trabalhávamos juntas. Ela, em um grande banco, chefiava uma carteira de processos que era comandada por mim em um escritório terceirizado. De tanto falarmos ao telefone, acabamos criando laços e conversando sobre coisas diversas. Claro, o trabalho fluía muito bem, obrigada.

Mas eu saí do escritório e ela do Banco. Por sorte existe o Facebook (acreditem, ele pode criar bons vínculos). Conversávamos sobre assuntos diversos, mas a arte era nosso foco principal.

Até que ela teve a feliz idéia de passar um fim de semana em BH. Arrumamos tudo rapidinho e numa madrugada fria de maio ela chegou. Trouxe na bagagem uma vontade enorme de captar toda a arte genuinamente mineira. 

A sua curiosidade aliada à minha paixão por BH casaram súper bem e o fim de semana foi tão longo e sinestésico, que deixou a impressão de termos ficado um mês juntas. Por sorte, o trânsito flui sem problemas nos fins de semana. Por isso, pudemos ir tranquilamente (e de ônibus) da Praça do Papa à Lagoa da Pampulha. Do Museu de Arte ao Inimá de Paula. Da Funarte ao Galpão Cine Horto. No barzinho Fundos da Floresta ao Espaço 104, do Mercado Central à Sorveteria São Domingos.  Pude apresentar a ela o pastel de angú, o queijo mineiro, o macarrão sem glúten...

Foram tantos bons momentos que, quando ela foi embora, parecia que eu também tinha viajado. Foi como se me desligasse, por 72 horas, da minha casa, do meu trabalho, do meu eu que insiste em me maltratar. 

Iniciei uma segunda feira com gás total e totalmente descansada mentalmente. E o corpo? Descansou também, maravilhosamente bem entre uma árvore e outra, uma arte e outra, um vinho e outro, uma saudade e outra... e que saudade!!!
 

Obrigada, Carol!!!!

Carol se jogando na arte mineira!!!! Aguardo novas visitinhas! e novas "férias" sinestésicas!!!
21 de mai. de 2012

.:Clichê dos Clichês:.

"Um espetáculo simples e direto, que dá ao espectador uma visão geral..."

As companhias deveriam parar de escrever isso...

Ou elas são pretensiosas, ou acham que o público é  idiota...

6 de mai. de 2012

.:eu até poderia acreditar em acasos:.

Reencontrar uma amiga que você conheceu em Paris há 5 anos em um ponto de ônibus em BH prova que o mundo é realmente um OVO nada achatado. 

Estávamos eu e Tiago (que irá compartilhar as escovas de dente comigo) em um ponto de ônibus em frente ao Palácio das Artes esperante um táxi lotação para subirmos a Afonso Pena e chegarmos ao OI FUTURO. 
Estou ouvindo um casal atrás de mim conversar. Eles iam para o mesmo lugar. Fiquei uns 10 minutos só ouvindo a conversa, como se não precisasse olhar nos olhos e ver qualquer feição. 
Mas aí pensei que poderíamos dividir um taxi comum, e ficaria no mesmo preço... E como faltava meia hora para começar o espetáculo, não poderíamos arriscar... 
Olhei para trás, vi o casal e dei um grito: JOANAAAAAAAA!

Corremos uma para a outra e demos aquele abraço nostálgico de longos segundos. Sim, Joana, minha amiga especialista em desenhos em quadrinhos tinha chegado do seu mestrado em Paris. Estava cheia daquela cidade fria e queria buscar mais calor humano nas montanhas mineiras. 

Por que não tinha me virado antes? Minhas percepções sinestésicas estavam fracas para os detalhes. 

Subimos para o teatro. Antes de começar a peça, fomos para a galeria de arte ver uma exposição de fotografias fantástica! Nossa, ficamos lembrando de nossa época de George Pompidou! 

Mas quando sentamos para assistir o espetáculo de dança, parece que ele não estava de acordo com os nossos sentimentos. Era um espetáculo sutil, lúdico, e não abusava do corpo. 
Eu gosto de impacto, de tensão, de emoção. Não gosto de quem fica pisando em ovos com medo de se arriscar. 

A trilha sonora brilhantemente elaborada por Milton Nascimento parecia uma obra à parte. Os bailarinos, medrosos, não se entregavam. Ou talvez pela emoção do momento, eu e Joana estávamos muito felizes e precisássemos de uma obra mais impactante. 

Saímos de lá com um vazio. Queríamos nos preencher do todo. Queríamos um espetáculo que entrasse dentro da nossa atmosfera, que saísse do palco e rodeasse as pessoas que ali estavam. 

Mas a noite não tinha acabado. Poderíamos nos preencher com um bom caldo para aquecer aquele momento gelado no Mangabeiras. 

Resumindo, a noite foi ótima, com direito a um segundo barzinho, caipirinha de abacaxi e muita nostalgia!

Faltou nossa Capitolina, KELLEN TRILHA. E espero que ela venha nos ver em breve! 

            Joana e esta que vos escreve curtindo um momento sinestésico e nostálgico maravilhoso!!!!
26 de mar. de 2012

.:isso que chamamos, talvez por engano, de amor:.

O fim da linha, do apego, do outro. 

Terminar um relacionamento não é tarefa fácil. Quando se mora junto então, torna-se algo complicado e a sinestesia das horas ficam indigestas e cheirando azedo. 
E assim é a atmosfera do espetáculo ISSO QUE CHAMAMOS, TALVEZ POR ENGANO, DE AMOR. A CIA DRÁSTICA entra no universo de Caio Fernando Abreu e mostra um casal separando os pertences e discutindo o indiscutível: o fim de uma relação desgastada.
 No fim de um relacionamento, parece que beijo é melhor, o abraço é mais aconchegante, as brigas são mais densas e, por vezes, cheias de farpas desnecessárias.
E dentro de um apartamento aquela peça acontece, como se os espectadores fossem mosquinhas naquele universo. Num clima mais fiel possível, a dupla de atores Carloman Bonfim e Ludmilla Ramalho tentam se desvencilhar querendo se enroscar mais. 
Trocam palavras cruéis, mas sempre com a necessidade do outro. O triste e difícil rompimento que teima em não ser amigável. 
Os atores usam todo o apartamento, tornando-o extremamente familiar. Entramos de cabeça na atmosfera da perda e da re-descoberta do eu sozinho. 
E assim a trama corre. Corre num tempo longo e cheio de sofrimento. É difícil admitir que não deu certo e se enxergar sozinho no mundo. Mais difícil ainda é admitir que o OUTRO não é alicerce de vida nenhuma. O OUTRO não é metade da laranja e nem tampa de panela.
O OUTRO É SIMPLESMENTE O OUTRO. 
As incompletudes não são sanadas pelo OUTRO, tampouco as carências.
E assim, os atores vão interpretando os rompimentos e as mazelas sentimentais de tal forma que nos deixam inebriados no ambiente sutil de um apartamento, com barulhos de vizinhos e cachorros. 

Vale a pena assistir... se emocionar e torcer para um final, quem sabe, feliz!

Lembrando que, como a peça é em um apartamento, o público é de, no máximo, 10 pessoas! E como está fazendo sucesso, o grupo apresentará novamente essa semana! Mais informações, liguem para  9782-6276. O endereço, no Santa Efigênia, somente pode ser revelado por telefone!!!

25 de mar. de 2012

.:DRESSUR + PLAY IT AGAIN:.

 Sam, please!!!

Sempre fui fã do GRUPO OFICCINA MULTIMÉDIA. Inovador, o grupo sempre surpreende no Verão Arte Contemporânea. 
Em janeiro, tive o prazer de assisti-lo no espetáculo estrante PLAY IT AGAIN. Mas achei tão surpreendente, que não tive coragem de escrever... Tive que assistir novamente para sentir toda a sinestesia do espetáculo com os olhos vidrados.
Ele não é espetáculo para assitir uma úniva vez. é para colocar o rol de prioridades artísticas. 
Primeiramente, temos o prazer de assistir o GRUPO DE PERCUSSÃO DA UFMG, que apresentam DRESSUR. Nesta obra do argentino Mauricio Kagel, os músicos executam fielmente uma partitura de sons, ações diversas, utilizando-se de instrumentos musicais e objetos sonoros não convencionais.
Como não sou uma expert em música, assisti a primeira vez e fui pra casa estudar. 
Dressur, em alemão, significa ADESTRAMENTO. Por isso, o espetáculo é tão supreendente. Numa sequencia de sons vindos dos mais diversos objetos e instrumentos, os músicos se interagem de forma adestrada, uns obedecendo os outros. Uma vez cínicos, outras marionetes, outras apáticos. Mas sempre adestrados. 
Forte, magnético e questionador. Assim eu defino DRESSUR. Assistir novamente foi uma experiência fantástica!

Depois, o GRUPO OFICCINA MULTIMÉDIA se junta aos percussionistas no espetáculo PLAY IT AGAIN. Em uma homegagem ao filme CASABLANCA, o que se espera primeiramente é a frase "We'll always have Paris".
Mas não. O Grupo foi além do clichê romântico e se jogou na contemporaneidade.
Nem um pouco piegas, o grupo se inspira na cena em que Ilsa pede a Sam que toque e cante novamente TIME GOES BY
Num jogo de sons e movimentos sincronizados, o grupo percorre o palco fazendo sempre uma referência ao filme e à cena.
Os trocadilhos usados, os movimentos muito bem ensaiados, os sons do grupo de percussão, os vídeos e as fotos formam um espetáculo delicioso de assitir. 
VALE A PENA!
e com certeza, assistirei pela terceira, quarta, quinta, sexta, sétima vez...

e para não passar em branco, fica a dica para o GRUPO OFFICINA MULTIMÉDIA: 

PLAY IT ALWAYS AGAIN!!!





11 de mar. de 2012

.:ENTRE:.

E FIQUE À VONTADE....

Primeiramente, clique AQUI para ler este post!


Sair de casa no sábado à noite para assistir a Mimulus é um ótimo programa. Ainda mais quando tem espetáculo novo.
Sempre inovadores, fiquei pensando: "o que mais falta para inventar"? Para, ao final, ter a certeza de que sempre é possível inventar e inovar mais e mais.

ENTRE é um convite ao feminino. No palco, uma plataforma rosa que, num primeiro momento, faz as vezes de um gigante disco de vinil que, quando os bailarinos a tocam, provocam interferências nas músicas. Algo muito bem pensado! Em outro momento, a plataforma vira uma cama para uma bailarina contemplar PIAF. Depois, ela vira um objeto andante no palco capaz de entrar nas coreografias de uma forma muito original.

Num estilo "O PODEROSO CHEFÃO", os figurinos são chiques, sóbrios e tem um toque blasé. Uma mistura brilhante de New York e Paris. Uma mescla de Louis Armstrong e Edit Piaf.
Mas, bem diferente de um Dom Corleone machista, as mulheres dão o toque e a ordem.Uma espécie de "máfia às avessas" bem classuda.

Com interferências teatrais e circenses, à lá O ARTISTA, os bailarinos choram, riem, beijam... Como num cinema mudo. Mas muitos beijos singelos nas bochechas, o que deixou a platéia esperando mais. Sim, por ser bem feminino, poderiam ter abusado dos beijos sem serem piegas nem escrachados. Faltou a sinestesia do toque. Os beijinhos trocados ficaram chatinhos e parecendo infantis no universo altamente sensual do jazz.

Também faltou dança. Poucas coreografias executadas no chão e muitas pegadas. Mulher pra cima, mulher pra baixo, mulher pulando, mulher correndo. Ficou acrobático demais.

Mas, como sabemos que é estréia, sempre há mudanças. Escrever sobre um espetáculo estreante não é fácil, quiçá executá-lo.

A MIMULUS continua incrível e, para deixá-los com vontade de assistir ao espetáculo, deixo algumas músicas da trilha para vocês!

ALL I COULD DO WAS CRY
 SOLITUDE
TRY A LITTLE TENDERNESS
I PUT A SPELL ON YOU
AT LAST

Mas não vou colocar toda a trilha aqui.. Vou deixá-los na vontade! ENTREM NO ENTRE! E deliciem-se na magia do feminino!