27 de fev. de 2012

.: E EIS QUE SAINDO DO FUNDO DA BOLSA :.



Gente's queridas!

quanto sufoco! Essa correria ainda me mata! E pra completar, minha saúde resolve me passar uns sustos. 
Mas estou aqui, lúdica, lúcida e lúpica!

E vamos que vamos seguir neste universo antropofágico! 

Minhas críticas já estavam prontas e pelos emails e facebook. Agora é hora de postar tudo aqui!

beijos, bitocas e beijocas!
5 de fev. de 2012

.:A IDADE DA AMEIXA:.

Prefiro não comentar. A peça conseguiu me expulsar do teatro em apenas 20 minutos....

.:D R i K A:.

 O UNIVERSO GAY INTELIGENTE

A morte de Drïka é anunciada no mundo gay. Drïka e seus dois amigos imaginários se despedem e se confundem para desaparecer e virarem um só.
Um texto bem construído nas entrelinhas e politicamente correto. Bastante subjetivo para quem não conhece o universo abordado. Não é piegas, tampouco estereotipa a figura do homossexual. Não é lúdico. Mas também não convence.
Paolo Mandatti segura firme o personagem e rouba a cena, coisa que não acontece com os demais atores no palco, que se mostram todo o tempo inseguros, inconstantes e por vezes picando falas, passando por cima de um, esquecendo o outro. Uma verdadeira bagunça em um cenário preto com algumas interferências visuais.
No meio da bagunça, a peça termina com um grande ponto de interrogação. Sim, Drïka virou uma só. Poderia ter sido uma só todo o tempo...


Drïka pertence à Campanha de Popularização do Teatro e da Dança e estará em cartaz até dia 12 de fevereiro (quinta a sábado às 19:00h e domingo às 21:00h na FUNARTE). Ingressos a venda nos postos Sinparc (R$ 5,00).
29 de jan. de 2012

.:POR UM FIO:.

MIMULUS CONSEGUE COLOCAR A ALMA DE UM ARTISTA POBRE, NEGRO E LOUCO NO PALCO


ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO passou a maior parte da sua vida em um manicômio. Dos visitantes que por lá iam, ganhava material como linhas, fitas, madeira. E com todos os presentes, criava, recriava e vageava com obras e frases consideradas "loucas". Como a maioria dos artistas brasileiros, foi considerado gênio somente depois de morto. Sua obra está em museus pelo mundo, e, agora, se eternizou no espetáculo POR UM FIO, realizado pela MIMULUS CIA DE DANÇA.
Não é fácil estudar sua obra. Arthur criou o MANTO DA APRESENTAÇÃO, feito para fazer sua passagem quando chegasse o "juízo final", e nele, bordava tudo que criava. Enfim, é uma obra belíssima, considerada sua "obra prima":

                                                       manto da apresentação

Em um cenário sombrio, os bailarinos usam o corpo e o rosto num jogo de luz e sombra. Abusam das feições apáticas e loucas. Se mostram esquizofrênicos a maior parte do tempo, recriando a obra de Bispo com muitas maestria. Se entrelaçam em cordas e corpos, criando emaranhados e oferecem à platéia frases soltas do grande artista. Ainda, mostram ironia ao tentarem se soltar, se desagarrar, assim como  Bispo, que tentava fugir da realidade que o rodeava.
Com uma trilha sonora que mescla músicas densas e sambas suaves, os bailarinos nos convidam a entrar no mundo da loucura e da genialidade. É uma saudação a um gêniou LOUCO, NEGRO E POBRE, um artista marginal que viveu longe da elite e da vida considerada comum.
O bailarino Rodrigo dá um show ao dançar sem olhar nos olhos de seu par (convenhamos, quando na dança de salão prevalece o olho no olho, dançar olhando para o nada é um tremendo desafio).
No meio de todo o entrelace, luzes penduradas mesclam no palco dança como se todos estivessem dentro do Manto bordando a obra de Bispo.
O convite à obra torna-se um desafio para quem não conhece Bispo, ou seja, mais de 80% da platéia, o que pode tornar o espetáculo confuso.
O espetáculo deve falar por si mesmo, é fato. Mas se a Companhia distribuísse folhetos explicando quem foi Bispo, tornaria o espetáculo mais compreensível, além de fazer o artista ser mais conhecido e admirado. Até porque entrar no MANTO não é tarefa fácil. Mas quando consegue-se ultrapassar linhas e laços, torna-se uma experiências enriquecedora.

ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO vive dentro do espetáculo. LOUCO E, ACIMA DE TUDO, LIVRE!

Conheça um pouco mais de sua obra AQUI!!!!!

                                            MIMULUS CIA DE DANÇA

POR UM FIO pertence à campanha de Popularização do Teatro e da Dança e saiu de cartaz hoje, dia 29. Fica a expectativa para que a Companhia se apresente mais uma vez!!!
28 de jan. de 2012

.:DEUSES:.

UMA VIAGEM NO TEMPO DA IRONIA COM EXCESSO DE INTELIGÊNCIA E DINÂMICA



Deuses é um espetáculo literalmente dos DEUSES... Mas antes de começar a ler minha crítica, é bom ligar o som e clicar neste link aqui:

HAVA NAGILA

Bom, agora, ouvindo a música que dá cor ao espetáculo, vamos lá:

Como surgiu o mundo? Qual o conceito correto? O Big Bang, que não passa de um peidinho inaugural, ou a criação divina com Adão e Eva? Seja como for, a criação das idéias sempre se deu pela transgressão, pela busca incessante do novo. E assim, com a evolução terrestre e a divisão da Pangéia, as primeiras formas de vida foram surgindo e junto com elas, o ser humano.Ou quando Eva mordeu a maçã e se descobriu humana.
E assim, com o passar do tempo, o ser humano descobre a arte... O teatro! Teatros gregos com platéia para até 15 mil pessoas, onde os atores são abençoados por DIONÍSIO. A arte da descoberta, a explosão de sinestesias.
E hoje? O que é o teatro hoje? Temos TEATRO? A arte ainda vive sob os olhares atentos de DIONÍSIO?
Ou ele simplesmente virou as costas com a baderna atual, onde 80% da "arte" agrega uma massa alienada que ri de qualquer besteira?
Seja como for, DEUSES propõe um diálogo e um questionamento constante com a platéia.
Ederson Cleyton é ator, diretor e roteirista do espetáculo. Inspirado no teatro essencial, onde há apenas uma cadeira em cena. O ator mergulha no personagem numa criação criativa e de muita entrega.  No palco, referências a Charles Chaplin e Denise Stoklos.
Com muita ironia, Ederson faz um trabalho que reúne o Antigo Testamento, a História, a Geografia, a Química, a Física e a Filosofia. Faz perguntas e sempre termina suas frases com "será"?
Com muita humildade, Ederson não afirma. Somente coloca perguntas. Aceita a participação da platéia. Ator e público de confundem num espetáculo inteligente, irônico e dinâmico.
E ao, fim, a platéia pode se deliciar com um verdadeiro "caga na cueca, gorfa na cueca...". Sim, para o público assíduo das artes, é clara a ironia. O TEATRO AINDA EXISTE? A ARTE AINDA É ARTE? CAGAR NA CUECA É MAIS INTERESSANTE QUE UMA PEÇA INTELIGENTE? SERÁ? SERÁ SERÁ? SERÁ? SERÁ? SERÁ? SERÁ? SERÁ? SERÁ? SERÁ? SERÁ? SERÁ? SERÁ? SERÁ?

São 60 excelentes minutos.

Eu, esta que vos escreve, com o grande ator, diretor e roteirista do espetáculo, que se transformou em anjinho barroco para tirar essa foto!

DEUSES estará em cartaz até amanhã (DOMINGO) na UNA (Rua Aimorés). Ingressos a venda nos Postos Sinparc.
22 de jan. de 2012

.:DOLORES:.

O UNIVERSO DE ALMODOVAR EM ESPETÁCULO MADURO E INOVADOR

DOLORES consta na bagagem da Mimulus Companhia de Dança há anos. Já tem "estrada". E sempre que se apresenta em BH, garante casa cheia.



Inspirado nos filmes de Pedro Almodovar, o palco é tomado por cores fortes e bailarinos bem caricaturados. Atemporal, é possível encontrar referências a várias obras, como Má educação, Carne trêmula, Tudo sobre minha mãe, Mulheres à beira de um ataque de nervos, Volver, Ata-me. Inclusive, é possível "encontrar" A PELE QUE HABITO, filme mais recente do diretor, e que não existia à época da criação do espetáculo. Ou seja: o trabalho dos bailarinos parece ser uma continuação da obra do diretor espanhol.
DOLORES convida a platéia a entrar em um mundo de luxúria, intrigas, amores, brigas...
Elaborado através da criação coletiva, não é monótono. E os personagens, caricaturados, caem como uma luva, em especial para Jomar Mesquita, diretor do espetáculo e bailarino em cena. Seu modo de dançar, bem eloquente, é inconfundível.
A bailarina Nayane Diniz dá um show à parte. Considerada o maior destaque do espetáculo, faz juz ao papel e executa com maestria as coreografias. A queridinha da platéia dança como uma pluma e mostra que sim, consegue executar passos com muita técnica e feições dignas das loucas personagens do direitor espanhol.
Porém, a mistura em cena de bailarinos experientes com bailarinos novos causou um certo desconforto. O bailarino Bruno Ferreira, que saiu há pouco tempo da companhia, fez falta. Será difícil encontrar um profissional com sua bagagem. As coreografias são bastante exigentes para iniciantes. É preciso um certo domínio corporal misturado à capacidade de interpretação. Quando colocado tudo isso no bolo e ainda rechear com Almodovar, fica complicado para quem não tem a alma anternativa e tampouco trabalho rígido com o corpo. ALMODOVAR NÃO DE CONFUNDE COM AMADORES!!!
Enfim, saudades à parte, valeu a pena cada segundo. DOLORES é uma mistura sinestésica de cores, luzes, gritos, mãos, pés e corpos que nos deixam pregados na cadeira e com vontade de apertar o "REPEAT". É uma pena... não é cinema!!!
Mas como o grande Rosa ensinou: "a única coisa que não tiram da gente é a lembrança e a saudade". Fica então a expectativa para que a Companhia apresente DOLORES mais uma vez!! Y otra vez... Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....Y otra vez....

 DOLORES pertence à Campanha de Popularização do Teatro e da Dança e foi apresentado em 2 horários no dia 22/01. Infelizmente, não está mais em cartaz... 


Mas, uma boa notícia!!! dias 28 e 29 de janeiro será possível ver a Companhia dar mais um "show" com o espetáculo POR UM FIO, no grande teatro do Palácio das Artes. Ingresso a R$ 12,00, vendidos nos Postos Sinparc.

.:TERRITÓRIO NU:.

SINGULAR, MÁRIO NASCIMENTO SURPREENDE MAIS UMA VEZ.


Assistir Mário Nascimento não é tarefa fácil. Seu trabalho é denso. Sua montagem é seu reflexo, seu estilo, inconfundível e admirável. TERRITÓRIO NU é prova isso.
Para início de conversa, tem-se uma surpresa: o próprio Mário está no palco. O cenário: vazio. A iluminação: inteligente. As músicas, fortes mesmo quando lentas, mostram uma força enorme que se une aos corpos, provocando um ritual altamente sinestésico.
Mário mostra que sim, sua cria tem pedigree.Coreografias de alto impacto interpretadas por quem sabe o que faz. Um trabalho que prova que o corpo não possui limites. Fragilidades quebradas. Provocações. O espaço urbano questionado e vencido pelo humano, que não consegue se perder.
A urbanidade, presente nas músicas, coreografias e figurinos mostram um espetáculo nada convencional e singular, onde o limite é colocado à prova: o limite do vazio, do corpo, da queda, do barulho, da inquietude, do silêncio, do sussurro.
A presença de Mário em cena é curta, discreta. E por vezes ele se mostra “guardião” de seus pupilos. E há que se convir que estrear um espetáculo de dança não é tarefa fácil. Principalmente para os bailarinos, que vão amadurecendo com o correr das apresentações, mudando uma coisinha aqui, outra ali. Alguns erros podem acontecer. Mas neste espetáculo, são imperceptíveis, confundidos com a contemporaneidade do ato. 
TERRITÓRIO NU pode ser transformado em poesia. E deixa a platéia com um gostinho de "quero mais"!


TERRITÓRIO NU é integrante do VERÃO ARTE CONTEMPORÂNEA (VAC) e ficará em cartaz até dia 22/01, às 19 horas no teatro OI FUTURO. (Avenida Afonso Pena - prédio da OI). Ingressos a R$ 14,00 inteira, vendidos uma hora antes do espetáculo.